Domingo, Junho 28, 2009

...rubro desmazelo entre-quebrando a asa da palavra...


é tinto o astro que cansa de vagar
sobre o penhasco enroscado do verso
carrasco da palavra torta que corta a folha
da melhor estória
cabaça rebentada no talo do momento
as loucuras traquinando entre os gemidos
até a mordida mais rouca das estrelas no céu da boca
despencando todo certeza esfarelada
ofuscamentos enforcamentos
que não alcançam os pedidos ebulidos
pretéritos bulidos de delírios
de lírios que foram colhidos com os mesmos dedos
suaves, contando os apagamentos do sol engolido
que vai rasgando a garganta das frágeis memórias
estremecendo os vazios assombrados pela chuva que não se vai
todo o firmamento se curva aos silêncios brilhantes do tempo
que mora na insensatez dolorida
como um delicado sangramento
grudam-se as peles eriçadas
e todos os eles são longas lambidas
laterais medidas de encaixe
que vão gastando as salivas e os peitos
doces recortes quase mosaico decote de eus
tão nus, entornando os desejos
nos meneios, nos seios do instante que se enrugam
esvaziando os sentidos róseos de todos os nós
dentro da sala de espelhos

01:56h
27/06/2009

Segunda-feira, Junho 22, 2009

onde mora a amora?

fonte desconhecida


o beijo mais lambuzado

amedronta dizima as inserções

sem circunflexo o voo não alcança

o impulso, mas o infalível

feitiço de atravessar

a falta de air na vertigem

que des’espera era era era

na véspera da correspondência

de amores somam-se três aos

corpos abraçados pela última vez

umidamente


amoras que a maré levou

num suspiro intenso

onde mora a amora?

seria menos amargo

sabor preto

ainda insipiente

informação que não conserta

vitral da Consolação

oração de medida menor

mal cabida

vitimando os peitos

emboscados

nas pistas nas filas nas listas

papéis picotados


traslados de matéria

jamais decorada

ao resgate da parte

da par te

que parte

adiantada

já com senha

:

447

03:46h
12/06/2009

Terça-feira, Junho 09, 2009

madrugada de junho

Page of Life
Paula Be - 03fev2006


que finda entre festas
de ascender chamas outras
e castanholas preteridas
ninhos de insetos que moram
no vão oco de pedaços
da espanha que brincam
moram entre a sala
de muito ferro
que aprecia borboletas
em rodopios pelo jardim de
inverno
poeiras em livros de capa bem dura
segurando melhor as palavras
novas histórias
milhares pessoas
encalacradas
sem corpo
como que dançando
músicas escolhidas
morando na sub-imagem
debaixo das mensagens
meio subcutâneas
quase bethânias
entre viragem
resquícios meus
quase nossos
quando me deixo ir
entre-quebrando
dex/sendo em
ser-se fora
o que me salva é o
quentão

22:25h
05/07/2007

Quinta-feira, Maio 28, 2009

a sede


, desista : a regra secreta no olhar do tempo é esse instante de nuvem morta e transparente , como se fosse possível ler a voz de um desconhecido desintegrando-se diante do olhar que é a canção dentro do espaço de um nome e será um instante branco como a senha no rosto deste morto ou morta no interior de uma cela ou de uma floresta , desista porque o amor desiste
sobre a incidência que existe no que sobra de uma sombra que é doce desejo de estar fora . Delicada é a costura em ponto de cruz , atravessando o tecido deslembrado em que se perfura a agulha no revés permissivo do erro e fere o dedo — riscadura do momento entre — alinhavo de surpresas em bordas de fios que tramam uma fisgada no dedo, desista
o amor desiste enquanto há um medo em esbanjamento , enquanto há no espaço de um nome um segredo que nunca se revelará e — no enquanto — gargalha alto , engolindo a súplica do olhar apelidado de nuvem
é como se de mim tivesse chovido na idade do transbordamento
na agulha do tempo que estoura o balão de água
agora sou tudo o que racha , tudo o que fende e sinto um tipo novo de sede , sim , existe toda uma constelação de diferentes sedes dentro do corpo
estou sentindo o desejo controlável de enfiar a cabeça dentro do oceano e beber um grande gole de água salgada
estou possuída pela sede demoníaca , perto de mim , na cabeceira da cama , há um copo d'água com uma rosa vivendo nele . Como será sentir a sede da rosa em um copo vazio ? saiu de mim a água que enchera o copo onde a rosa agora vive
e eu tão menor que ela , tão menos sublime
esvaziei-me para alimentá-la a fim de preferir sua vida menos maliciosa , menos consciente e por isso , com mais direito à existência , pertencendo onde me agarro com dentes amarelados e unhas já esfoladas . Sou o que eu persigo . Todo rudeza . Todo imobilidade
na verdade , transformo-me no copo vazio . Sou o que veio antes da água chegar e fui bebida num gole só
na verdade sei como é esta outra sede demoníaca porque estou morrendo mais rápido do que antes . Estou dentro de uma coisa chamada : 'Paciente em estado crítico' e essa coisa é como ser um copo para a terrível ausência de um campo de rosas vivas

Marcelo Ariel & Beatriz Bajo

Terça-feira, Maio 05, 2009

febre nas ancas

00:01
16/03/09