Sábado, Dezembro 05, 2009

Não nos tire o dramaturgo - Mário Bortolotto


hoje foi um dia bem esquisito, devido à notícia lamentável da tentativa de assalto ao espaço Parlapatões, na Praça Rooselt, no Centro de São Paulo.
houve agressões e Mário reagiu (alguéns, que não ele nesta específica circunstância, hão que reagir...uma hora dessas).
Carlos Carcarah (achei suas ilustrações como Carlos Carah), pseudônimo do ilustrador e ator Henrique Figueiroa (30 anos), foi baleado na perna, mas está bem.
Mário Bortolotto é londrinense (47 anos). um cara de talento excepcional, com uma voz belíssima, além de vocalista e compositor das bandas Saco de Ratos Blues e Tempo Instável (possui um cd de blues chamado Cachorros gostam de Bourbon), Mário é ator, diretor e dramaturgo brasileiro.
influenciado pelas histórias em quadrinhos, cinema, blues, rock e o movimento beatnik, seus espetáculos são originalíssimos.
possui 4 peças publicadas, um livro de poesia chamado Para os inocentes que ficaram em casa, romances (Mamãe não voltou do supermercado e Bagana na chuva), além de uma coletânea em 2006 de textos do seu blogue homônimo Atire no Dramaturgo.
NÃO, NÃO ATIRE, NÃO NOS TIRE O DRAMATURGO.
este que participou de festivais teatrais pelo Brasil com o seu grupo (fundado em 1982) inspirador (e por isso, tb homônimo) da vila cultural mais importante de Londrina: Cemitério de Automóveis.
Marião é vencedor do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo conjunto da obra em 2000 e do Prêmio Shell pela peça de sua autoria Nossa vida não vale um Chevrolet.
o artista mora e trabalha na capital paulista desde 1996, mas dá umas passadinhas na terra natal de vez em quando, como no Londrix, onde fez um show de arrebentar...fantástica banda Saco de Ratos Blues e a personalidade impactante do compositor e vocalista ainda ressoam aqui dentro...a nossa conversa tb, rapaz de bela voz.
e na madrugada de sexta pra sábado Mário foi baleado com 3 tiros e está em estado grave.
sempre esteve...Bortolotto é gravíssimo, intensíssimo e forte de vender saúde...todos torcemos pela sua recuperação, querido.
sábado angustiante...difícil...sábado mudo...aguardando vc.

beijoooo

Foto: Evelson de Freitas/ Agência Estado


ilustrações de Carlos Carah (carcarah)



Segunda-feira, Novembro 30, 2009

um desabafo

gente, a discriminação está me irritando, só por isso o desabafo.
texto originalmente postado no site TREMA LITERATURA, aqui:


Quero saber se vão desativar as indústrias também

O cigarro realmente contém diversas substâncias tóxicas, que prejudicam não apenas o fumante ativo, mas também o passivo. Um dos produtos de maior consumo no mundo (cerca de 1/3 da população mundial), como tantos outros, também incomoda os que não gostam do cheiro e nem da fumaça que ele exala.

Depois de 600 anos (diz-se que surgido entre os rituais mágicos e religiosos de 1000 a.C. e aparecido na Europa após o descobrimento da América por espanhóis e portugueses entre os séculos XV e XVI e cultuado até o século XIX) de intensa propaganda e incentivo por parte, sobretudo, dos ícones emblemáticos da intelectualidade e da arte, agora querem exterminar com esse tercinho todo de uma só vez.

Qual será o verdadeiro problema? Quem está preocupado com a saúde da população?! O mais forte candidato à presidência? Quem vem do mesmo grupinho dos mantenedores do tráfico de drogas ilícitas? Será que estavam perdendo os lucros ou quanto estão ganhando ou ganharão com essa campanha excludente e torpe?

Ou ninguém se importa que num dos estados mais poluídos e poluentes do mundo as outras fumaças continuem a exalar mau cheiro e elementos tóxicos, apesar do cigarro, além dele, com ou sem ele. Quero saber se vão desativar as indústrias também. Ahh, mas vão, hein?

Agora isso pegou na Paraná também e eu estou sendo totalmente repudiada dentro de um país que luta pra quebrar com todos os preconceitos. A única coisa que prejudica a saúde humana é o cigarro? Se for, pare de ler e esqueça este texto. Porque eu penso que os fumetinhas de drogas ilícitas estão se voltando contra o tabagismo com um moralismo tão falho.

Isso sem falar nas propagandas tão up do álcool, que pelo que leio e conheço, matam bastante; contribuem crucialmente em grande parte dos acidentes de trânsito. E as barrigudinhas que ficam fazendo propagandas de marcas de cerveja nos orkuts da vida são as mesmas que sacodem as mão ao me ver acender um cigarro na rua, no ponto do ônibus, esquecendo que as modelos e atrizes dos comerciais têm grana e/ou patrocínio pras lipos, tirando as anoréxicas e bolêmicas (mas isso é um outro assunto).

Não sei se alguém se esqueceu de que os alcoólatras são violentos. O maior índice de espancamento de mulheres está entre homens alcoólatras. Isso não lesa outras pessoas? Estupros, agressões, escândalos não são comportamentos incitados pelo tabagismo. Mas isso é legal, né? Não há preconceito em relação aos bebedores.

Ninguém veio me perguntar o que mais pode prejudicar a vida e a saúde de uma pessoa, a minha, por exemplo. Ouvir o Brasil inteiro falar errado e não saber concordar nada com nada, nem conjugar verbo nenhum, mata-me de vergonha e decepção. Isso, além das náuseas, dá-me uma gastrite nervosa sem precedente.

Também não há uma viva alma que me pergunta se gosto do altíssimo timbre de voz de passageiros de ônibus, as músicas no último volume dos celulares sem fone. Ou fico surda e um pouco menos desconfortável, com o meu fone de ouvido; ou sou obrigada a escutar a seleção mais odiosa de outro, ou as conversas mais imbecis e fúteis de outroutros, ou ainda, palavrões. Isso deve ser prejudicial pra audição. Ou não?

Isso sem falar nas faltas. Putz! A falta de educação, de gentileza, de caráter, de amor, os atropelos, nos meios de transporte públicos (em que já perdi minha sandália mais de uma vez), nos mercados, nas filas, o passar na frente ou achar que o outro é invisível. Eu, que acredito nas doenças físicas como conseqüências de doenças emocionais, ainda acho que há muitos males, além do cigarro e do tabagista.

Não acho legal que os não-fumantes sejam obrigados a exalar a fumaça dos fumantes, mas gostaria de ser respeitada quando acendesse o meu cigarro. Ahh, massa de manobra! É uma pena que a manipulação das informações seja vil e sempre aleijada, alijando as pessoas.

Gostaria que houvesse um estabelecimento só pra fumantes, que poibisse a entrada de não-fumantes, a permanência de quem quer que seja, pra que pudesse haver igualdade nesta imposição.

Enfim, se não há tolerância, não há acordos, não há laços...então, que se fodam todos. Amém!

Enquanto eu ainda sou permitida de circular pela cidade, fa-lo-ei e vocês vão ter que engolir minha fumaça. Até que a morte nos separe. Só a minha!?

Sábado, Novembro 14, 2009

sem-dia

Crise-álida IV
Fernando Figueiredo - 14fev2008


o sem-dia anterior para a cura
o posto de saúde é uma caixa de música aberta, tocando tristezinhas em negativos aos olhinhos arteiros das crianças a magreza em lenta e trêmula mão nos documentos, o gorro e a cadeira verde de plástico os avisos de prevenção do corpo, as campanhas banheiro sem papel os vidrinhos quadriculados as conversas fiadas ruídos e tosses as cores o balançar dos pés em desoladora espera - você tem língua? mancar é um estar no quase. raios-x de riscar esperanças e fósforos que não cabem nos bolsos



o sem-dia para a cura

...enquanto o gato manso rodeava a leitura de Calixto o gato pardo embaixo do banco de concreto passeia, soturnando a entrada do hospital bem mais concreto roendo os cânceres sob a tarde cinzenta, firmam suas alianças dentro dos braços gélidos da vida que ainda não se encerra entre o colchão fino, o ferro e o cochilo de fera atravancando as saídas à espera da cadeira de plástico coberta, escudo ao dorso engessados desejos crispam sob a penumbra dos corredores famintos de cor sono sono sono pombas no peito lá fora, as titicas de números pousam nas cabines de votação dentro dos colégios melancólicos pela democracia entalada sempre neblina latidos sacodem as cortinas que se amedrontam de ventos antigos arrepios e alcoóis nas mãos nãos as crianças ainda cantam supervisionadas pelas moscas do tempo que insiste em ficar

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Momentos importantes do Londrix 2009

tudo foi muito maravilhoso: ouvir histórias sobre Leminski, conhecer e descobrir poetas, encontrar amigos, fazer amigos, tomar caipirinha, uísque, cerveja entre deliciosos bate papos, ouvir música boa, assistir a performances e mesas interessantes, ficar tensa e desficar, ganhar metáforas e beijos insuspeitados, ganhar livros e desenho, rir demais, falar sobre a insistência da poesia como arma de luta contra os cerceamentos (uns mais aviltantes que outros), conhecer o Cedro, jantar com bilhetinho ofertado, escutar bobagens, arriscar um tango (hahaha), receber carinhos, propostas indecentes, falar de astrologia, de filosofia, de amor, receber bombom, saber da permanência da gentileza, do afeto, ler dedicatórias, andar com poetas pelo shopping e passar dias seguintes abrigada pelo abraço de linha que não se desfaz mais. Aí vão as fotos:

Vila Cultural Cemitério de Automóveis


"O universo leminskiano" com Rodrigo Garcia Lopes, Marco Vasques e Maurício Arruda Mendonça

"Poesia: a construção de olhares" com Anitta Costa Malufe, Virna Teixeira, Beatriz Bajo (mediadora) e Bruna Beber

que concentração!! hahaha


e...


"HQ - tradição e novos tempos" com Eloyr Pacheco (mediador) e Allan Sieber


Marcos Losnak e Toninho Vaz


Marco Vasques


que casal querido: Anitta e Silvio Ferraz


Celia Musilli na homenagem a Leminski


as lindas mulheres


show de "Saco de Ratos" (Mário Bortolotto, Fábio Brum, Fábio Pagotto - faltam 2 integrantes) com a participação do baterista Eduardo Batistella

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

"Abandono de livros", comunicado da assessoria de imprensa do Londrix 2009

Está aberta a Temporada de Literatura

Vem aí o Londrix 2009!

De 22 a 27 de setembro, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis

E neste sábado (19), Londrina já entra em outro clima com...

Mais uma edição do ‘Abandono de Livros’

Se neste sábado (19) você encontrar livros na rua, entre 10 e 12 horas, não hesite: é só pegar e levar para casa. Eles poderão estar em floreiras, bancos de praça, escadas, telefones públicos, calçadas.
São livros de diversos gêneros, com um detalhe: dentro de cada um, haverá uma filipeta com a logomarca da Ong Mundoquelê e do Londrix Festival Literário de Londrina com a inscrição: "Este livro é seu!".
A brincadeira faz parte da programação do festival que abre na próxima terça-feira (22), mas começa, esta semana a espalhar um clima pela cidade. Para isto, a Ong Mundoquelê - que já realizou esta atividade outras vezes - fez uma parceria com o Londrix, com o objetivo de aproximar o cidadão da leitura. Assim, para levar para casa um livro de presente, é só andar pelas ruas com olhos bem abertos.
Neuza Ceciliato, presidente da Ong Mundoquelê, explica o objetivo da "pegadinha literária": "Resolvemos realizar este Abandono de Livros às véspeas do Londrix para incentivar a leitura e para que os londrinenses comecem a sentir o 'cheiro' da Literatura no ar."
Um cheiro muito agradável, diga-se de passagem. Então, neste sábado, é só ficar atento porque os livros abandonados estarão ao alcance do público em lugares inusitados. Olho vivo e boa leitura!

Assessoria de imprensa Londrix 2009 electracomunicacao@gmail.com
www.londrix09-festivalliterariodelondrina.zip.net