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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

RUBRA CARTONEIRA EDITORIAL


eiei, pessoal,
as novas notícias, vermelhíssimas chegaram:

nasce a RUBRA CARTONEIRA EDITORIAL, inaugurando o fenômeno cartoneirismo no estado do Paraná!!!!
estamos muito entusiasmados com a tentativa de sacudir e democratizar a literatura na cidade de Londrina.
além disso, comovidíssimos com todos os comprometidos e/ou envolvidos neste empreendimento que têm se mostrado gentis e calorosos com nosso atrevimento de colorir ainda mais os livros de autores que respeitamos e admiramos.
enfim, nosso muito obrigada a todos. mas, agora, quem agradece sou eu (rsrs):
MARCELO ARIEL
JESUS BAJO
CIDA BAJO
RAPHAEL BAJO
ISABELE GALDINO
THAYS E REINALDO SCOTTI
JACK E GUI FRAGA
JENNY OLIVEIRA
JULI E MARCOS SCOTTI
LÊ E NELLO SCOTTI
CHICO CÉSAR
DOUGLAS DIEGUES
ANDERSON FONSECA
KAREN DEBÉRTOLIS
MÁRCIO ASTRINI (BIKE)
RONALDO FERRITO
MAICKNUCLEAR
HUMBERTO YASHIMA
REYNALDO BESSA
VINICIUS LIMA
WENDER MONTENEGRO
ESTRELA LEMINSKI
EDSON CRUZ
PAULO SCOTT
MAR BECKER
MARCELE AIRES
RICARDO DALAI LIMA
FELIPE PAULUK
TÁRIK ELID
FLAVIO GARCIA DE SOUZA
RODRIGO FREGNAN
FLAVIO CORRÊA DE MELLO
BETO
ANA GOTZ
ALDIR GRACINDO
ANA PELUSO
MÁRIO BORTOLOTTO
PAULO KIFFER
ROGÉRIO ANDRADE
LÉO MACKELLENE
que de uma forma ou de outra, incentivaram-nos, vocês são maravilhosos!!

o blogue está aqui, http://rubra-c-editorial.blogspot.com/, pra quem quiser dar uma olhada no manifesto poético editorial.
em breve, retornaremos para anunciar os lançamentos.

um beijoooo!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ARLEQUIM em pigmentos fotossintéticos


foto: Ana Gotz


um solo de sax tropeça
no entardecer
e cai febril na boca
alada do verso
de dentro do poema
um arlequim sublima
olhares por dentro da rima
e o verbo aflito sussurra:

rica rica rica
fica

dentro do jardim das horas, num dia internacional do amor

neste mesmo dia do ano passado eu postei o comer borboletas e o poema que mais me comoveu e comove até então, de Herberto Hélder (de toda poesia, 1996).
mas, renovando o dia do amor, trago fragmentos do poema "o jardim das horas", do meu amigo-bandido Léo Mackellene (fortaleza-CE), que é escandalosamente lindo e rendeu até a troca do nome de uma banda da qual foi integrante. O quarto das cinzas virou O jardim das horas.

mas voltando ao Léo poeta...ele tem um livro estupendo do qual já falei algumas vezes, em entrevistas, chamado O livro das sombras ou O livro dos mais pequenos silêncios e sobre o qual já escrevi. aqui: http://esquinaliteraria.blogspot.com/2012/02/o-livro-das-sombras-ou-o-livro-dos-mais.html

enfim, ao poema e ao amor, nesta ordem ou em qualquer desordem ou umdentrodoutro:

 
foto-luxototal de Ana Gotz


Entra.
Este é o meu jardim de desertos
sem portas ou janelas, entra.

não te espanta que não haja palmeiras aqui?
...também não cantam mais os sabiás.

Entra e senta
que o mundo é secular e ele pesa.
Olha que o abrigo do poema é o poeta
e vice-versa.

ESPERA... é só o silêncio pedindo licença,
velho mensageiro do invisível.

Agora já podes entrar. Senta.

todas as coisas se revelam no escuro
enquanto acendo um ponto de fuga e puxo
içamos o fogo da terra até os olhos

é lindo o jeito como tu fechas os olhos,
como se fechasse as portas da tua casa

vai até ali,
o espelho é o rosto dos rios,
já disseram.
Prostra-te ali e
diante do espelho
fecha os olhos e vê,
aponta o que está inerte.

CALMA... o movimento é a voz do silêncio
transbordando sobre tudo o que há,
tudo o que deve haver

é quando as luzes do universo se apagam
que as coisas se tornam puras, obscuras, secretas
(são os poemas que ocultam
a vida subterrânea de todos os segredos)

dancemos na escuridão desses caminhos,
dancemos que os espíritos antigos nos afagarão

Não tema!
O barulho das portas rangendo
é só o sentido das palavras se movendo dentro de nós

Exala silêncio teu beijo absurdo
e cego também eu
sinto os suaves gestos do infinito
sobre meu rosto ríspido, urdido de vestígios
(os mais sutis segredos trago guardados aqui)

em falso piso em falso,
passo de quem volta a caminhar depois de anos de hesitação
(o caminho se descobre caminhando,
não é o que dizem?)

Piso em falso sem saber onde morar
faço morada dos abismos que encontro ao caminhar
pouco importa então onde eu moro
eu não moro em lugar nenhum

importa aonde eu vou

Sempre assim,
continuamos. Nada mais.
que tudo acontece sem o nosso consentimento!

(nos aproximemos na dança
que já a canção termina
nenhuma canção pode soar pra sempre)

sozinho, me guio sozinho
sob os pequenos dedos do invisível
(se tudo só parece,
tudo está escondido)

tua pele exalando esquecimento,
enigma do impossível

O universo imenso se reordenando sobre mim
pra te acomodar entre minhas velas mais distantes...

(ainda dançamos a essa altura.
Mais três passos
e paramos.)

Olha...teu enigma sabe o indizível silêncio:
sugerindo!
Arte de reinventar o que existe.

Todos os poemas são profecias
e eu fiz um poema pra ti.
Verdade, fiz um poema pra ti.
Quer ouvir?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

FLOR DE ÁGUA em pigmentos fotossintéticos

foto: Ana Gotz

ahhh!!! livro terminado é
um rio desaguado para fora dos nós
ribanceira acima da morte
...
uma flor de água abertíssima
ao tempo intacto

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

AVE em pigmentos fotossintéticos

da série pigmentos fotossintéticos,
Ana Gotz - http://www.anagotz.com/ - e yo atrevemo-nos ao trabalho de ascender luzes por dentro das imagens, lidas e vistas...aí vai a primeira composição.


ave

na parábola dos meus nervos
raivosos de seiva e sombras
grafas ramos invisíveis
engravidados de raízes
arbustos plenos indecifráveis
balé de braile em lanças surdas
sobre a madeira que me veste

tuas palavras tatuam meu corpo
circunscreves no umbigo lenhoso
nódoas de entardecer verdes
ainda úmidos pelos versos
escorridos da tua língua
há um livro teu em cada poro meu

dança selvagem de galhos
orvalho na pele da palavrardente
são lágrimas melífluas
futuros caindo sobre o tronco nu
adivinhações de omoplatas escorregadias
plantas de pés resvalantes

uma semente vertida
miríades de diamantes
no silêncio bendito
leia pétala a pétala
e milagres florescem
no agreste desinventado
por tua língua
imantada na minha
saliva nossa
amém

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Maria Bethania-Pra rua me levar

eclipse


os corpos rasgam os sonhos
descortinam mãos as peles despertadas
pelo satélite ceifando a abóbada celeste
transpuseste enfim luminares
um raio se desprende da vida
um uivo atravessado no tempo
uma lua despenca do vão da janela
cai plena sobre a cama das fabulações
ele coloca sua cabeça sobre a lua
acaricia a lua
beija a lua
e diz com aquele meio sorriso
tantas vezes devorado:
ainda estamos dormindo