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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

simulacros


um monstro
poderosíssimo
hábil em destruir pontes
encontros abraços reconhecimentos
semente envenenada que incha e explode
detonando tudo o que não é ele
ele é o eu
cego ego ego

egozinhos passeiam por aí

desgovernadamente
adoração de artefatos
artifícios espocando imagens
— Imaginação é território da fé —
digladiando verdades que remam à irracionalidade
:

ilhar-se junto a suas palavras inúteis

terça-feira, 30 de agosto de 2016

discurso

peixes correndo sobre o ar
en-tornando
palavras lavradas no arrastão
voltam a mergulhar
sussurrando
bolhas de sabão

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

anuviar

assobiar gotas de água
dos olhos pro olhar
cristo trincando de mágoa
cristais incrustados no ar

chuva melando contrastes
desligando mundos
metamorfose hasteada
devendo devir

fertilidade em perecedouros
a eterna impermanência
da travessia sem pegadas

epifania do vento
virando romaria
     — nu
     vem!

domingo, 28 de agosto de 2016

discurso urso
absurdo surdo

luz

fogo humano
seu balé lamparina
espera que arde vela
lâmpada redoma de luz
segurá-la lanterna
aleluias de libertação
é Sol

vagalume

sobre isso que falava

luzes artificiais apagam os vagalumes

a raiz do ser não se move
irradia
noite original
e quando nasce é dia

lâmpada é ânfora do tempo
dente postiço na boca aberta
da vida

todavia, é obscena a atração
e à meia luz, toda a luz
é preciso criar-me
é preciso recriar o me

a leitura reversa

foi exatamente isto que andei fazendo nos últimos tempos...mais do que nunca.

acompanho amigos aqui, muitos leitores vorazes...

a leitura, quando se faz, também se dá por dentro.
no entanto, é preciso ouvir o grito silencioso do eu que se esvazia na vida...

tenho acompanhado minha vida mais atrás de mim, mais profundamente...acho que há algo nascendo ininterruptamente e que não nos damos conta...

penso que o amor é avassalador porque acaba com o ego (como diria Marcelo Ariel), a gente deixa de viver, vivendo...

o amor não é paciente, nem deixa a gente bondosa, nem nada suave...o amor é um caixote numa onda (que a gente quer que seja pra sempre)

ele apaga a gente, dilui, faz a gente escoar pro outro...

minha vida tem sido esse derramamento sobre os outros - os amados.

essa distância de mim, aproximou-me ainda mais do que sou...

uma loucura líquida e grossa entornada sobre...eles
é fundamental a leitura

sobretudo de si mesmo:

solitária

indigestão
a carne solitária
celada
como uma vela acesa na água
água-viva ascendendo a montanha
um bicho esquisito
desassemelhado
como uma verdade flagrada na névoa
deserta morada de uma flor
de pequeno bico como uma monja
uma pedra engastada
engasgado brilhante
muda

rouba x furta

o crime não compensa
o esvaziado sabor
alheio
o não

há pagamentos
altíssimos
apagamentos

tintas opacas no quadro
de Dorian
roubar palavras gestos alma
não honra

ela é iridescente
a]penas, furta cor