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quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Os cari-ocos ou Sonhos de Rio que caíram por terra


Digamos que essa seja a imagem da terceira margem...


Tristeza do naufrágio
ciente de estar só
mas apostando num resgate
de encontrados
salva-vidas
entre tanto, tanto Rio
tentei segurar amores e amigos
só que a força da maré
carregou pra longe dos desejos
de fusão a combustão
água fria essa, que congela
os tendões,
adormece as tentações
endurece os dedos
que selariam as
correntes enferrujadas
entre tesouros perdidos
embora eu tenha partido
deixei minha alma no Rio
mas só faz eco em cari-ocos
corações carcomidos não reverberam
alma penada
encharcada
frangalhos de gente
migalha
eu, em meio, arcabouço de
recordações que não se acabam
boiando até que a grande onda
venha quebrar na minha
praia deserta que
de certa maneira
já esteja desde antes
morta
numa terceira margem
imperceptível
de Rio de todos os meses
desde o início, em fim,
um milhão de vezes
que insisti em jogar minha âncora
numa manca tentativa de
permanecer entre.

20/12/2006
15:14h

3 comentários:

  1. Seu lirismo contagia...até os cariocas. rs

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  2. Hoje estou lendo tuas palavras de forma diferente... Com um nó na garganta... Não quero mais se "oca"! Quero "estar presente sempre"... Seja da forma que for...
    "Dentro"...
    Você é linda, sua alma é pura,tuas palavras são lindas... Linda... linda... Fofa! Minha amiga!

    Amo você!
    Nina.

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  3. ehhh!
    vou acabar me afundando por aqui...
    é bom jogar-se em teus poemas Rio a dentro...
    mar a fora...
    com a leveza de que não estamos em águas paradas.

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