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terça-feira, 10 de abril de 2007

Acaso

Apetece trincar
Susana Catarina Antunes Correia
12/11/2005




não há também nenhuma explicação para tal atitude deliberada de inchaço nenhum acordo prévio ou seja nenhum motivo Se bem que houve uma virose mas não que seja para tanto ela toda de bico era cobaia de um potinho de vaselina madrileño de ano remoto enfim uma tarefa para tal boticário olvidado juntamente com outras quinquilharias de armário branco A inconveniente impedia o riso e a ginga arrastada do sotaque carioca que requer alguma maleabilidade O incômodo abocanhou o dia que silenciava impositivamente Nem o condicionador labial suavizou a rigidez da carapaça que impaciente rachava-se Da metade anterior sobrava carne viva e quente A outra multifacetada em peles que não se querem unidas por mais tempo assim como as palavras ditas demais amarguradas frases desacreditadas em pedaços que se romperam na sentença de velhas vidas Ressecamentos e exageros de língua que não se segura na boca rechaçada de ter sido colocada no mundo mas pra quê, me diz? Pra quê! Se só há ruídos e desencontros Boca suja essa...de peles Melhor seria... De não ter conserto porque não é artifício nem objeto é atributo de sujeito por isso suja de peles como ia dizendo por isso aberta em fendas agora por isso sangrando Sua sorte seria um beijo Mas eis que a incontrolável tomou-se como dona do corpo gorda e espaçosa pôs-se a falar sem pausa nem medidas encaçapando as torpes mentiras as escondidas conversas miúdas Desgovernada ela desmascara as farsas de boca de lobo que se arrastam pelos asfaltos e casas maculadas de sempre mais gritava de arreganhar as bocas de siri e os segredos doloridos na ânsia de publicar todo o apodrecido que se transveste com belos sonhos de capa de livros que não se lêem na tentativa de contar estórias pra boi não dormir mais nada de conforto aos trapaceiros das verdades que usam inescrupulosamente promessas verbais como álibis pobres palavras que só dizem quando faladas como que acorrentadas em cavernas platônicas de assombradas inscrições incorruptíveis até a próxima intenção degenerada de boicotar compromissos e dissimular prejuízos e...até que a voz esmoreça primeiro rouca e grave nenhum som ecoe dos inquietos lábios que se vejam inúteis Consciente de sua fragilidade sentiu-se mais ridícula ainda que calada Precisará de saliva para adormecer os cortes que cicatrizarão no covarde bocado de porventura.

5 comentários:

  1. Olhando uma das comunidades encontrei seu link, passei para dar uma olhada e achei muito bom, olhei mais profundamente os poemas e achei muito interessante. Não sei se cabe aqui e se já corrigiu o que escreveu, mas precisa se lembrar das pontuações... são diferentes um pouco das dos poemas, para um texto de prosa inaugural está ótmo de verdade.
    Fiquei realmente surpreso ao entrar no seu perfil e perceber lá Clarisse e Machado de assim, meus dois autores nacionais favoritos. Além de claro o Carlos Drummond, dá pra ver o porque de tanta qualidade... Um abraço!

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  2. pontuações?
    pergunte ao Saramago..! rsrss
    certo, Bia?!

    achei fantástico... me colocou dentro de um redemoinho...

    Beijos!

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  3. Por um acaso, caí de boca aqui e fiquei impressionada. Uma das melhores coisas que li essa semana. Achei maravilhoso.

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  4. :D

    Bom, vou deixar aqui o end. do meu orkut ( http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=4316136684208745923 ) e meu email (thepaperboat@gmail.com). Passaria meu MSN, se eu tivesse tempo pra usá-lo...


    Beijos beijoss!!!

    ( e muito obrigada pelos elogios, apesar de eu nunca saber lidar com eles )

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